quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Jorge Dória e os buracos na cultura


Uma vez assisti a uma peça de Jorge Dória no teatro que vive em reforma (e nunca tem nada de arte) em Americana, cidade em que nasci e vivi por vários anos. Ao fim da peça, ele teve de fazer aquela estranha (eu acho estranha e desnecessária) leitura dos patrocinadores do evento, mas antes fez um discurso de lamento pelo que sentia naquela situação. 

Dória disse que muitas cidades do interior reclamam da falta de opção cultural, mas quando há essas opções, que exigem enorme esforço das companhias teatrais, várias cadeiras dos teatros ficam vazias (e havia espaços vazios no pequeno teatro da cidade). 

Vi outras tantas peças no mesmo (fechado eternamente para reforma enquanto se torra dinheiro com avenida bonitinha) teatro de Americana. E lá estavam os "buracos" na plateia. Paulo Autran, Jô Soares, Diogo Vilela, até óperas em que era necessário ler a legenda na parede ao lado do palco e assistir à obra como numa partida de tênis... E lá estavam os "buracos"...

Enquanto isso, na festa do peão, os camarotes caríssimos vivem cheios.

Que Dória brilhe em outros palcos. E que a cultura sobreviva aos reis dos camarotes!

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